Como transformar o compromisso das empresas com a cultura e a diversidade cultural em uma atuação coerente, contínua e capaz de gerar impacto real?

out 7, 2026

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Em 29 de setembro de 2026, Lilian Richieri Hanania, cofundadora e diretora da Rede CSSC – Corporate Sustainability in Support of Culture, realizou no SESC São Paulo uma oficina dedicada ao papel da cultura e da diversidade cultural nas estratégias empresariais.

Com base no referencial utilizado pela Rede CSSC e em uma abordagem participativa inspirada em Appreciative Inquiry, a oficina convidou os participantes a partir de suas próprias experiências para refletir sobre os recursos já existentes em suas organizações, as práticas que funcionam e as possibilidades de fortalecer sua contribuição para a cultura e a diversidade cultural.

A partir de experiências concretas de empresas, foram ressaltados os seguintes elementos como fundamentais para construir ações coerentes, eficazes e capazes de gerar impacto:

Lilian Hanania - SESC São Paulo
Fotos: Mariana Santos

1. Estratégia e constância

Alguns projetos produzem resultados relativamente rápidos, enquanto outros envolvem transformações profundas que podem levar vinte ou trinta anos. A continuidade do compromisso permite construir relações de confiança, consolidar iniciativas e superar uma lógica de ações pontuais.

2. A integração da cultura e da sustentabilidade ao modelo da empresa

A capacidade de uma empresa de atuar no longo prazo é fortalecida quando essas questões não constituem uma atividade periférica, mas estão integradas à sua missão, ao seu propósito ou ao seu modelo de negócios. Algumas empresas já nascem com essa orientação. Outras a constroem progressivamente. Em ambos os casos, o desafio é fazer da contribuição para a sociedade, a cultura e a diversidade um componente coerente da estratégia da organização.

3. Uma estrutura organizacional coerente com as prioridades assumidas

Compromissos precisam se traduzir na própria organização. Isso pressupõe que as prioridades relacionadas à cultura e à diversidade sejam reconhecidas institucionalmente, apoiadas pela governança e integradas aos processos e práticas da empresa. O papel de um fundador ou fundadora, ou de uma liderança visionária, pode ser determinante para impulsionar essa orientação. Para que ela perdure, no entanto, deve progressivamente fazer parte da estrutura e da cultura da empresa.

4. Uma abordagem baseada no ecossistema e nas comunidades

A abordagem desenvolvida pela Rede CSSC convida a considerar a empresa como um ator de um ecossistema, em interação com seus colaboradores, as comunidades, os territórios, os atores culturais e criativos, o poder público e outras partes interessadas.

As discussões durante a oficina confirmaram a importância dessa abordagem. Antes de conceber uma iniciativa, é fundamental compreender as comunidades envolvidas, suas realidades, suas necessidades e a diversidade que as compõe. Sua participação permite construir projetos com elas, e não simplesmente para elas. Essa proximidade contribui para a pertinência das iniciativas, mas também para sua legitimidade e sua capacidade de produzir efeitos mais duradouros.

5. Articular impulso institucional e proximidade com o território

As discussões também confirmaram o interesse de uma dupla dinâmica. De um lado, uma política clara, institucionalizada e apoiada pelos níveis mais altos da organização permite dar direção, recursos e continuidade às ações. De outro, a proximidade com os colaboradores, as comunidades e as realidades locais permite identificar necessidades, adaptar as ações e manter um verdadeiro diálogo. O impacto pode, assim, ser fortalecido quando o impulso estratégico da liderança encontra uma dinâmica participativa vinda do terreno.

6. Comunicar para criar diálogo, e não apenas visibilidade

A comunicação desempenha um papel importante na valorização das ações realizadas, mas pode ir além da simples divulgação de informações. Ela pode se tornar um instrumento de diálogo, sensibilização e aproximação entre diferentes grupos, criando condições para que diferentes atores se compreendam melhor e construam respostas em conjunto.

7. Medir, avaliar e aprender

Por fim, expertise e intenção não são suficientes para garantir que uma iniciativa produza os efeitos esperados. Dados, indicadores e, quando pertinente, processos externos de avaliação ou auditoria permitem compreender melhor os resultados alcançados, identificar aspectos a serem aprimorados e fazer evoluir as ações. A avaliação torna-se, assim, não apenas uma ferramenta para medir impacto, mas também um instrumento de aprendizado e melhoria contínua.

Um agradecimento especial às participantes e aos participantes da oficina por seu engajamento, interesse e pela grande pertinência de suas contribuições. A riqueza das experiências e reflexões compartilhadas permitiu colocar o referencial CSSC em diálogo com realidades empresariais muito diversas e alimentar uma reflexão coletiva particularmente construtiva.